Autor: Luisa Vieira

Escondendo Haddad

[Rosângela Ribeiro Gil | NPC-SP] De repente William Bonner, antes de seu tradicional boa noite no Jornal Nacional, pede aos telespectadores atenção para uma última e interessante notícia que será exibida. Estamos, é bom que se diga, no dia 10 de janeiro de 2017. O repórter começa a sua matéria: “Pode até parecer que quando a noite avança não há mais vida na cidade mais maiúscula do País. Mas há. E vida bem inteligente. Silenciosa, focada. Companheira de 60 mil opções de distração ou de estudo. Mas, poder passar os olhos por um livro, sei lá, de história da arte coisa de 3h45 só foi possível quando os mais antigos funcionários da segunda maior biblioteca pública do país pararam de trabalhar.”

Reportagem bem construída para mostrar a automatização de sistema na biblioteca municipal de São Paulo Mário de Andrade que permite o seu funcionamento 24 horas. É a primeira com automação e empréstimo full time no mundo. Nossa, em tão pouco tempo o prefeito João Doria, aquele que gosta de segurar a vassoura para fotografia, fez tamanha revolução cultural na cidade? (Caros e caras, isso será sempre impossível, acreditem). Talvez um desavisado possa achar que a resposta é ainda afirmativa. Não, não é. É apenas mais uma mostra da descarada manipulação da Rede Globo. O sistema foi implantado em 4 de julho de 2016, portanto na gestão Fernando Haddad. Mas a notícia só chegou ao Jornal Nacional seis meses depois. E a matéria não explica, em nenhum momento, que tamanha inovação e respeito às pessoas foi implantada pela administração do ex-prefeito.

consulte Mais informação

Sociólogo resgata série de textos sobre sobre a situação nas prisões

O sociólogo Sérgio Domingues é um astuto observador das penas e alegrias do cotidiano. Para ele “as terríveis e frequentes rebeliões nas penitenciárias brasileiras têm como uma de suas principais causas o encarceramento em massa. Principalmente, de pretos e pobres.” Desde 2012, Domingues aborda o assunto na sua página “Pílulas Diárias”. O primeiro texto fala sobre o nascimento da organização criminosa que nasceu como reação ao massacre do Carandiru. Agora, Sérgio organizou todos os textos produzidos sobre o assunto para facilitar a vida de seus leitores. Acompanhe aqui!

consulte Mais informação

Decisão do Copom não muda nada

[Rosângela Ribeiro Gil | NPC-SP] A comunicação do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp) quis entender um pouco mais a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em 11 de janeiro, de reduzir a taxa Selic para 13%. Para tanto, conversou com o professor doutor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Antonio Corrêa de Lacerda. De cara ele disse: “Não há qualquer razão para comemorarmos essa decisão.” Advertindo ainda: ”Tem gente eufórica com a queda de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic). Isso não muda nada.”

Ele explicou: “Considerando a projeção do Boletim Focus (média do “mercado”), a inflação (IPCA) para o ano 2017 é de 4,84%. Considerando ainda que a inflação fechou em 6,3%, em 2016, a média esperada de 2017 é de 5,5%. Portanto, o juro real projetado (Selic – IPCA) está agora em quase 7,5% ao ano. De longe, a mais alta do mundo e muito acima da rentabilidade média das atividades produtivas. Ou seja, continuamos muito fora da curva.”

Segundo o professor, a taxa de juros ideal é aquela compatível à média internacional, ou seja, próximo de 1% ao ano. “Estamos acima de 7%”, lamentou. Lacerda salienta, ainda, que a taxa de juros também “precisa estimular a produção e investimentos produtivos e infraestrutura, ou seja, precisa ser compatível com a rentabilidade média dessas atividades”. Ele foi taxativo: “Hoje ganha mais quem especula no mercado financeiro do que quem produz. Isso não dá certo.”

consulte Mais informação

Despejo em São Matheus, São Paulo

[Por Silvia Ferraro em 17.01] “Enquanto o Dória (prefeito de S.Paulo) tá preocupado em “embelezar” a cidade, apagando a arte dos grafites, tem 700 famílias sendo despejadas de suas casas em São Mateus, na zona leste. Três mil pessoas que não têm pra onde ir, que estão vendo seus sonhos serem destruídos. O terreno estava há 40 anos abandonado. O direito da propriedade de um terreno inútil vale mais do que o direito de moradia para 3 mil pessoas entre idosos e crianças. O direito do capital é o que prevalece. E a cidade cinza ficou mais cinza e triste no dia de hoje”.

consulte Mais informação

Livro ‘A Resistência’, de Julián Fuks

O romance “Resistência” foi o vencedor do prêmio Jabuti de 2016. O autor, Julián Fuks, fez um discurso bastante engajado na cerimônia em que foi receber o prêmio: “Pode ser que se esteja premiando, isso é pra mim um motivo de muita alegria, o simples ato da resistência diante de tudo isso que a gente vê e diante de tudo isso que nos atinge: da ruptura com a ordem democrática que se deu no Brasil e que a gente precisa combater”, disse. E finalizou com um “Fora Temer”.

O livro vencedor parte da relação entre o narrador e o irmão adotado em 1976 em Buenos Aires para tratar de um tema muito mais amplo: a ditadura argentina, a perseguição a quem se manifestava contra o regime, e os sentidos, hoje, da resistência. A todo momento, reflete-se sobre os impactos daquele tempo nas próprias relações familiares. Seus pais, argentinos, tiveram que sair do país natal e começar uma outra vida no exílio no Brasil, para onde trouxeram o filho adotivo e tiveram dois filhos biológicos. Trata-se, afinal de contas, de um livro “sobre essa criança, meu irmão, sobre dores e vivências de infância, mas também sobre perseguição e resistência, sobre terror, tortura e desaparecimento”, nos conta o narrador. Memória pessoal, social, histórica e política: é isso que o leitor encontra nesse livro de maneira bastante sensível e cativante.

consulte Mais informação

Pin It on Pinterest