Autor: Luisa Vieira

Animação conta a história da criação do universo pela voz de orixás

[Brasil de Fato – Redação] Buscando uma nova forma de militância para o combate aos estereótipos em relação às religiões de matriz africana, nasceu a animação Orun Aiyê: a criação do mundo. Durante os 12 minutos de duração, o filme das diretoras Jamile Coelho e Cintia Maria, conta de forma didática como os orixás do candomblé interagiram para criar a Terra. Em iorubá, idioma de uma das etnias do continente africano, Órum significa o mundo espiritual e Aiyê, o mundo físico. | Saiba mais!

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Livro “Lima Barreto: a crônica militante”

O escritor negro Lima Barreto é o homenageado da Festa Literária de Paraty (Flip) de 2017. Conhecido por romances como “O triste fim de Policarpo Quaresma”, em seus textos ele abordou de forma crítica a sociedade brasileira e, em especial, o Rio de Janeiro. Pela importância do autor no cenário literário nacional, a Expressão Popular lançou, em 2016, o livro “Lima Barreto: a crônica militante”, uma seleção de textos não-ficcionais publicados pelo autor nas coletâneas “Bagatelas” e “Feiras e mafuás”. São comentários do escritor tecidos a partir de fatos e acontecimentos do início do século 20 e que muito têm a ver com a nossa realidade atual. Em “Carta aberta”, por exemplo, destinada ao presidente Rodrigues Alves e assinada em 2/12/1918, escreve: “Não são mais os militares que aspiram à ditadura ou a exercem. São os argentários (donos do dinheiro) de todos os matizes, banqueiros, especuladores da bolsa, fabricantes de tecidos etc, que, pouco a pouco, vão exercendo, coagindo, por esta ou aquela forma, os poderes públicos, a satisfazer todos os seus interesses sem consultar os da população e os dos seus operários e empregados”. Essa e outras crônicas podem ser lidas nessa interessante coletânea.

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Como brilha o cinema de Ken Loach

[Por Sérgio Domingues] Ken Loach tem 80 anos, 30 filmes e muita coerência política. Suas produções procuram denunciar as contradições e crueldades do capitalismo, sem serem aborrecidas ou apocalípticas. Além disso, ele sabe colocar o dedo em algumas feridas da esquerda socialista, com sua tendência ao autoritarismo e burocratização.

Loach gosta de lembrar um ditado inglês segundo o qual “você não pode ficar neutro entre os bombeiros e o fogo” para dizer que, muitas vezes, é preciso ficar do lado do fogo. É o que mais uma vez ele demonstra com “Eu, Daniel Blake”, filme que recebeu uma Palma de Ouro em Cannes.

A trama mostra o calvário vivido por um marceneiro veterano diante do sistema de seguridade inglês em tempos neoliberais. Impossibilitado de trabalhar por problemas cardíacos, Daniel é jogado num labirinto burocrático que o impede de fazer valer seus direitos. Viúvo e sem descendentes, o que o alivia de seus tormentos é a convivência com uma mãe solteira e seus filhos, para quem se torna pai e avô.

Se o final é triste, não é pessimista. Em meio a tantas dificuldades e injustiças, Daniel e sua família de adoção ainda encontram várias pessoas solidárias na medida de suas possibilidades. São pontos iluminados que abrandam a escuridão que oprime. Alguns povos antigos achavam que as estrelas eram buracos na casca negra da noite. Por eles, a luz diurna continuava a vazar insistentemente. É assim que brilha o cinema de Ken Loach.

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Revolução não é bolão

[Por Sergio Domingues – Pílulas diárias] O fim do capitalismo é inevitável. Só não dá pra organizar um bolão para ver quem acerta quando acontecerá. É mais ou menos isso que diz ”How Will Capitalism End?”, livro recentemente lançado por Wolfgang Streeck. Segundo ele, não se trata de saber se o capitalismo vai acabar, mas como.

Streek publicou um artigo que resume seus argumentos na edição 87 da revista britânica “NewLeft Review”. Com o mesmo título do livro, o texto traz o seguinte trecho:

“É um preconceito marxista, ou melhor, modernista, a ideia de que o capitalismo como uma época histórica só terminará quando uma sociedade nova e melhor estiver à vista e um sujeito revolucionário pronto a implementá-la para o avanço da humanidade.”

De fato, os marxistas deveriam ser os últimos a pensar assim. É verdade que Marx e Engels disseram no Manifesto Comunista que o socialismo é uma necessidade histórica a ser construída pelos explorados de forma revolucionária. Mas eles também consideraram possível que uma saída desse tipo se inviabilizasse causando a “ruína comum das classes em conflito”.

“Ruína comum das classes em conflito” é apenas outro nome para a barbárie. Um desfecho nada improvável diante, por exemplo, doresultado das últimas eleições nos Estados Unidos. Ou de possibilidades semelhantes na Europa. Sem falar em tragédias como a guerra na Síria.

Streeck apresenta as várias contradições que devem levar o capitalismo à falência. Voltaremos a comentá-las, em breve. Enquanto isso, continua valendo a ideia marxista de que é necessário acabar com o capitalismo pela revolução. Até porque, do contrário, sobrará pouca gente para participar de um bolão.

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Por Henfil

“Se não houver frutos, valeu a beleza das flores; se não houver flores, valeu a sombra das folhas; se não houver folhas, valeu a intenção da semente.”

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