[Por Míriam Gontijo] No dia 15 de fevereiro, o Estado de S.Paulo, há 122 anos nas mãos da família Mesquita, publica uma nota que me chamou a atenção: “A jornalista cubana Yoani Sánchez, autora do blog Generación Y e forte questionadora dos rumos políticos de seu país, é a nova colunista do jornal”. Ao que me conste, a bloguera Yoani nunca exerceu a função de jornalista profissional em seu país, que reconhece a profissão e mantém o diploma de periodista. Ela é filóloga, graças à Revolução Cubana, pois desde a tomada do poder em 1959 Fidel Castro prometeu: vamos alfabetizar os 1,5 milhão de cubanos analfabetos em um ano. Prometeu e cumpriu: erradicou o analfabetismo no país no ano de 1961. Talvez por isto, a bloguera Yoani adquiriu condições de receber premiações fora do seu país e ser reconhecida no Brasil, país que ostenta a cifra de 18 milhões de analfabetos…
Mas o que me deixou mais admirada foi outro fato: o mesmo jornal demitiu, poucos meses antes, a colunista e psicanalista Maria Rita Kehl, que desde fevereiro de 2010 mantinha uma coluna quinzenal no Caderno 2. Intitulado “Dois Pesos…”, o artigo criticava as inúmeras correntes de e-mails enviadas pela internet que desqualificavam os votos dos pobres. Ela apontou para o preconceito do argumento de que os votos dos pobres das chamadas classes D e E “não são expressão consciente de vontade política” e “teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola”.
Confira o texto completo.