E a ditabranda, como ficou?
A matéria de capa da Ilustrada de 30.03.09, caderno da Folha de S.Paulo, fala sobre o documentário “Cidadão Boilesen”. O filme, dirigido por C. Litewski, aborda a morte do empresário dinamarquês naturalizado brasileiro H. Boilesen, então presidente da Ultragás. Ele foi acusado de financiar as ações e participar das sessões de tortura da Operação Bandeirantes (Oban), criada pelo Exército para reprimir quem resistia à ditadura. Litewski pretende que o filme incentive a discussão sobre o apoio civil à ditadura.
De acordo com a matéria de Sylvia Colombo, documentos e depoimentos apresentados no documentário mostram como a sociedade civil, por meio do empresariado, apoiou o regime e financiou a repressão. Pelas informações recolhidas pelo diretor do filme, Boilesen teria sido o principal mediador dos contatos entre militares e os empresários que deram dinheiro e apoio logístico a perseguições.
De acordo com o historiador Jacob Gorender, o empresário “era um sádico”. Ainda segundo as fontes investigadas, foi ele o responsável pela importação da “pianola”, aparelho que aplicava choques elétricos utilizado nas torturas.
Carlos Eugênio Paz, um dos líderes da Ação Libertadora Nacional (ALN), justificou à Folha a execução de Boilesen: “Cada tempo tem suas leis. Havia uma guerra e ele era um combatente que escolheu um lado. Ou seja, sabia que estava sujeito a uma sanção.” Ele diz que apoiaria o mesmo tipo de engajamento contra o governo hoje, se a conjuntura ditatorial daquele tempo se repetisse hoje.
Também o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz: “Ninguém de boa formação vai ficar feliz porque uma pessoa foi assassinada. Mas, naquele caso, era um a menos. Um do outro lado”.
[Com informações da Folha de S.Paulo – 30.03.2009]