A Revista O Globo de 22.03.2009 publicou uma bela matéria sobre seis irmãs da área rural de Iguaba Grande, município da Região dos Lagos (RJ), que preservam no seu dia-a-dia os hábitos das culturas de tradição oral. São elas: Georgina, Sigislete, Hernanda, Maria, Hilda e Luiza da Conceição. Elas são remanescentes do quilombo já extinto de Papicu, e mantêm a vida de acordo com seus antepassados escravizados do Congo do século XIX.  

Por exemplo: elas se comunicam por meio de um dialeto próprio, com palavras e expressões bantu. As irmãs não foram alfabetizadas, e aprenderam a usar a natureza para calcular o tempo – que para elas é gerido de maneira diferente. Por exemplo: não conhecem a própria idade, e não admitem serem chamadas de senhoras. Pelas contas de parentes, a mais nova tem mais de 70 anos, enquanto a mais velha beira os 100. 

Outro costume é andar pela cidade em fila indiana, respeitando a liderança da mais velha, Georgina. Nas sociedades de tradição oral, os mais velhos são respeitados e valorizados por sua sabedoria, sendo sempre procurados para os conselhos e ensinar as tradições para os mais novos.  

Interessada na história de vida dessas seis irmãs, a museóloga Nilma Teixeira, de Iguaba Grande, resolveu gravar um documentário sobre “as congas”, como são conhecidas. O resultado foi o filme Ibiri: tua boca fala por nós, que aborda a luta das irmãs por um local onde possam plantar. Hoje, para comerem, dependem muitas vezes da boa vontade de vizinhos e da população. A família perdeu as terras para um grande fazendeiro da região há cerca de 30 anos. As seis guardam a semente de tudo que comem em pedacinhos de papel, e aguardam ansiosas por seu pedaço de chão.