A relação entre o atual governo federal dos EUA e a imprensa americana sempre foi tensa, mas agora está se tornando perigosa. Pelas regras informais que guiaram por muitos anos as relações em Washington, o vazamento de informações governamentais era algo considerado corriqueiro, carregado de riscos toleráveis para funcionários do governo e, na pior das hipóteses, implicava na possibilidade de intimação de jornalistas pela divulgação da identidade de suas fontes confidenciais.
A administração Bush, ao contrário, tem colocado pressão na imprensa como nunca visto antes, e dá sinais de que pretende tratar o problema dos vazamentos de informações confidenciais como questão judicial. Apenas no último ano, uma repórter do New York Times foi presa por se recusar a testemunhar sobre sua fonte confidencial; esta fonte, um funcionário da Casa Branca, foi posteriormente identificada e processada sob acusações de mentir à Justiça; uma analista da CIA foi demitida por contatos não-autorizados com jornalistas; e diversas intimações foram emitidas obrigando repórteres a testemunhar perante um grande júri.
Há pouco tempo, o FBI passou a reclamar a entrega de documentos confidenciais adquiridos pelo jornalista investigativo Jack Anderson, morto em dezembro do ano passado, ao longo de sua carreira. O Bureau alega que, pela lei, nenhuma pessoa física deve possuir documentos confidenciais conseguidos ilegalmente. Nada de concreto foi feito ainda, mas funcionários do governo têm citado, em declarações públicas e documentos judiciais, a existência de leis que permitem a abertura de processos criminais contra jornalistas. Não há indicação de que alguma decisão pontual do gênero tenha sido tomada. Ainda assim, o governo federal e seus aliados dizem que todos os caminhos devem ser explorados para garantir que informações vitais para a segurança nacional não caiam nas mãos dos inimigos da nação.