No dia 27 de junho de 2007, a polícia matou 19 pessoas no chamado Complexo de favelas do Alemão, no Rio de Janeiro com a justificativa de repressão ao tráfico. A maioria  nada tinha a ver com o comércio de drogas e mesmo se tivesse, a execução não se justificaria, como afirmou na ocasião a Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro, militantes de direitos humanos, a mídia alternativa e o nosso bom senso. 

Um ano depois, a violência institucional não deixou de ser uma realidade. Há poucos dias, as vítimas foram três jovens moradores do Morro da Providência, entregue a bandidos pelo Exército. 

“Depois do 27 de junho, não há mais condição de considerarmos o governo estadual, e talvez nem mesmo o governo federal, como interlocutores legítimos na luta por direitos humanos. São pessoas responsáveis por homicídios qualificados, porque premeditados. Pensar que atuamos nas condições de um Estado de direito é hoje não só uma ilusão, é um erro político grave que nos leva à derrota em nossa luta”, afirmou, na ocasião da Chacina do Complexo do Alemão, o militante da Rede de Comunidades contra a Violência, Maurício Campos. 

No dia 27, sexta-feira, houve uma manifestação no centro do Rio para lembrar os mortos do Complexo do Alemão  e as vítimas da violência do estado. Foi o Ato pela Vida, Contra o Extermínio – Um ano da Chacina no Complexo do Alemão. 

Meu filho saiu de mim, e não saiu uma sementinha do mal como dizem por aí. Quando ele nasceu, o médico disse apenas se era do sexo feminino ou masculino, eu nunca ouvi falar que um médico dissesse quando a criança nasce que ela é bandida”, disse, na manifestação, Mônica Cunha, fazendo referência a expressão atribuída ao exército de que “as crianças da favela” são sementes do mal. O filho de Mônica, Rafael da Silva Cunha, foi morto pela polícia.