18 anos se passaram desde o Massacre do Carandiru, o episódio mais sangrento da história das penitenciárias brasileiras e mais um caso de violência policial que resultou em chacina. Tudo começou com um desentendimento ocorrido entre alguns presidiários no dia 2 de outubro de 1992, o que gerou uma rebelião no pavilhão 9 da Casa de Detenção do Carandiru. Mais de 300 policiais militares, a maioria sem identificação, invadiram o local para conter o tumulto dos presos. O saldo da ação, liderada pelo Coronel Ubiratan Guimarães, foi de 111 detentos mortos e mais de 150 feridos. De acordo com a denúncia do Ministério Público, com a chegada da Polícia Militar os presos começaram a jogar estiletes e facas para fora, demonstrando que não haveria resistência. Ainda assim as tropas invadiram o Pavilhão 9, tomaram o térreo e depois se dirigiram às celas nos andares superiores, onde muitos presos foram mortos a tiros de metralhadoras, fuzis e pistola automática.
Na época, o governador de São Paulo era Luiz Antonio Fleury Filho. Segundo um documento do IPEA, nos dois primeiros anos de seu governo (1991 e 1992) a violência policial no Estado de São Paulo aumentou em números exorbitantes. Seu ápice foi o traumático massacre de Carandiru. Esse episódio é mais um da lista de crimes cometidos por agentes do Estado contra pobres e militantes sociais do nosso país. Não nos esqueçamos ainda do Massacre de Eldorado dos Carajás e das Chacinas de Vigário Geral, da Baixada Fluminense, da Candelária, do Borel e de tantas outras.