[Por Mario Augusto Jakobskind]
O imortal Nelson Rodrigues usava uma expressão que hoje se aplica ao esquema da mídia conservadora, sobretudo O Globo: “babar na gravata”, no caso, de ódio. É o que acontece neste momento contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Na última semana, o jornal de maior circulação no Rio de Janeiro se superou em matéria de manipulação da informação.
Na edição de 24 de julho de 2008, O Globo aparecia nas bancas com a manchete “Líder do MST apóia candidato de curral eleitoral da Rocinha”. O mencionado é José Rainha, um ex-militante do MST, que não representa mais este movimento social, o que é publico e notório. O Globo “informava” (só pode ser entre aspas, pois o certo seria dizer manipulava) que “o líder do MST, que há anos comanda invasões de terra
Ao mesmo tempo
Se alguém ainda tivesse dúvida da grosseria manipuladora de O Globo, a apresentação na primeira página de uma foto de arquivo com José Rainha segurando uma bandeira do MST, deixava as coisas bem claras. É o caso de perguntar: que estranho critério de um jornal, abastado como O Globo, colocar em manchete de primeira página uma foto de arquivo tirada da gaveta?
Tem mais: na edição de sábado,
Como se tudo isso não bastasse, O Globo prosseguia sua baba na gravata afirmando “com ou sem o beneplácito do movimento, a participação de militantes do MST na campanha eleitoral da Rocinha, em defesa do candidato do curral eleitoral da favela, é mais um indício de que ele se converteu numa organização política cujo foco vai muito além da reforma agrária”. Era a resposta ao Departamento Jurídico do MST, só divulgada na edição do dia 26, de que “José Rainha foi afastado do movimento por não se submeter às orientações do MST” e reafirmando que o movimento “não tem vinculação política com candidatos, partidos políticos ou governos de todas as esferas”.
Não satisfeito com o predomínio do esquema do pensamento único, O Globo em seu editorial de 26 de julho mostrava supostos vínculos do MST com o narcotráfico, como as Farc na Colômbia.
Mas os leitores se enganam se imaginam que só O Globo manipula grosseiramente a informação. Na área eletrônica o troféu “baba gravata de ódio” ficou por conta da TV Bandeirantes, que na semana de
Na era Collor, Casoy se deu bem. Antes do confisco geral da Madame Zélia Cardoso de Mello ele tirou dos bancos todas as suas aplicações financeiras. Disse à época que tinha apenas intuído, não contava com nenhuma informação privilegiada. Ora, âncora de noticiário televisivo, o mínimo que a ética jornalística e a fidelidade aos seus telespectadores recomenda, em qualquer época, é tornar pública a “intuição”.
Hoje, Casoy chega até a alterar a fisionomia, muito próximo de babar, quando fala ou comenta sobre o MST. Isto, na verdade, não é jornalismo, mas, sim, “uma vergonha” e exemplo típico de estratégia de pensamento único.
Atenção nas próximas semanas para o acirramento da baba na gravata de ódio a qualquer tipo de organização dos setores de menor poder aquisitivo da sociedade brasileira.