[Por Sérgio Domingues] Vejamos duas manchetes do Jornal do Brasil de 29 de março de 2007. A primeira: “No Rio, estudantes enfrentam a polícia pelo passe livre”, sobre uma foto mostrando ação repressiva da polícia sobre estudantes. Era uma manifestação contra o fim do passe-livre na cidade carioca. A segunda: “Já em Brasília, ameaçam a democracia com ações racistas”, mostrando um jovem negro diante de uma porta que foi incendiada na UNB. Trata-se de um incêndio de autoria e motivos ainda não esclarecidos em dependências da moradia estudantil da Universidade de Brasília. O alvo seriam estudantes africanos, que moram no local.  

Como assim? Os estudantes que lutavam por passe livre seriam os mesmos que teriam agredido estudantes africanos? É o que a manchete dá a entender. Mas, em um caso, trata-se de uma manifestação contra a retirada de um direito. No outro caso, de um crime, que pode ter motivos racistas ou não. O País estaria sendo dominado por baderneiros e racistas? Ambos seriam a mesma coisa? É isso o que o jornal quer dizer? E por que fazer essa ligação direta entre manifestações e racismo? Será que tem a ver com uma polêmica que surgiu no dia anterior sobre uma declaração da titular da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que é negra?  

Pois é, perguntas que não querem calar, berram!