
Foi lançado pela Editora Fundação Perseu Abramo o Dicionário do movimento operário ̶ Rio de Janeiro do século XIX aos anos 1920 – militantes e organizações. A obra apresenta verbetes com informações biográficas de militantes e históricos de organizações da cidade do Rio. O período abordado vai desde 1830, aproximadamente, até 1920. O dicionário contém informações sobre organizações de cunho sindical, beneficente, educacional ou político.
Nas 839 entradas nominais estão registros como nome e sobrenome, cor, profissão, orientação política, obras escritas, dados sobre a vida e atuação, e outras informações. São nomes de trabalhadores de diferentes ocupações e categorias, muitos deles participantes de diferentes agremiações sindicais e políticas. São militantes nem sempre reconhecidos nos registros da história do país, mas pessoas que tiveram participação no movimento operário do Rio de Janeiro.
O verbete dedicado a José Francisco da Veiga, por exemplo, registra que ele era tipógrafo socialista, integrante da Associação de Socorros Mútuos “Liga Operária”. Foi também proprietário do jornal Gazeta Operária, que tinha como subtítulo Orgam dedicado especialmente aos interesses dos Artistas e Operários.
A segunda parte do dicionário revela a história de quase 400 organizações de trabalhadores. Traz, sempre que possível, informações como data de fundação, local de atuação, endereço da sede, entre outros.
O dicionário é o 16º livro da Coleção História do Povo Brasileiro.
Entrevista com o coordenador da obra, Claudio Batalha
Claudio H. M. Batalha é licenciado e bacharel em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutor pela Université de Paris I (Panthéon-Sorbonne). Foi colaborador do Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (1930-1983). É autor de O Movimento Operário na Primeira República (Jorge Zahar, 2000) e co-organizador de Culturas de Classe: Identidade e diversidade na formação do operariado (Editora da UNICAMP, 2004). É professor do Departamento de História da UNICAMP desde 1986 e integra o Centro de Pesquisa em História Social. Foi diretor do Arquivo Edgard Leuenroth.
BoletimNPC – Qual a importância de se lançar um dicionário resgatando a memória do movimento operário na cidade do Rio?
Claudio Batalha – A importância de um dicionário desse gênero é mostrar o vigor, a riqueza e a diversidade desse movimento. Busca contemplar não apenas os militantes conhecidos, as lideranças, mas também aqueles que, mesmo tendo sido ativos, permaneceram obscuros na história do movimento operário. Esse volume comporta tanto biografias desses militantes quanto históricos de organizações. Possibilita ao leitor ver a classe operária não como uma categoria abstrata, mas como composta de homens e mulheres de carne e osso.
BoletimNPC – Por que até 1920?
Claudio Batalha – O volume não termina em 1920, mas na década de 20, ou seja dá conta da totalidade daqueles anos. Era necessário encontrar um recorte temporal para encerrar esse volume, que abrange o período do Império e da Primeira República. A idéia é que o projeto do dicionário possa se desdobrar mais adiante para períodos posteriores.
BoletimNPC – São 839 nomes e 400 organizações de trabalhadores, certo? Como foi feita a pesquisa?
Claudio Batalha – São 839 entradas de nomes e 397 entradas por organização. Tanto os indivíduos quanto as organizações podem ter mais de uma entrada. A pesquisa foi feita em obras publicadas, mas também em documentação da polícia, registros de associações, relatórios folhetos e periódicos da época.
BoletimNPC – Vocês destacam algum verbete?
Claudio Batalha – Os verbetes variam consideravelmente de dimensões de acordo com as informações disponíveis tanto no que diz respeito aos indivíduos, quanto nos referentes às organizações. Entretanto, o que interessa em uma obra desse tipo são menos os verbetes individuais, mas o conjunto onde é possível perceber experiências comuns e situações particulares.