No último número de 2008, o jornal mensal dos Comerciários de Ipatinga, no Vale do Aço, em Minas Gerais, trás uma boa surpresa. Na capa, uma manchete bem inteligente: Beleza inatingível, com uma foto chamativa, mas sem apelação. Na página quatro, um artigo com um título muito claro sobre a ditadura da beleza para as mulheres.  

Qualquer um conhece dezenas de mulheres vítimas desta ditadura imposta por toda a mídia empresarial a serviço do lucro dentro da lógica do mercado. Este é um dos tantos temas da vida no seu dia-a-dia que podem, e devem, ser tratados nas páginas da imprensa sindical. Não para esconder a luta. Não para fazer esquecer da greve como grande arma dos trabalhadores. Não para diluir as contradições de classe, mas para disputar nossos valores socialistas com os valores desumanizantes impostos pelo capital. Um desses temas é este que o sindicato de Ipatinga tratou. Vejamos: 

  VILÃO INVISÍVEL

Ditadura da beleza é uma forma de violência contra a mulher 

Por Helenice Viana (Sind. dos Empregados no Comércio e Serviços de Ipatinga) 

Todos os dias, milhares de mulheres são violentadas. Elas não denunciam. Mas não é por medo.

É porque nem se dão conta que são vítimas de uma violência. Os golpes são sutis.

O espancamento, silencioso. O vilão é oculto, se esconde dentro delas. 

Já se passaram quase quarenta anos do dia em que as feministas estadunidenses queimaram sutiãs em praça pública em protesto pela liberação da mulher. Aos poucos, a ditadura do machismo, tão combatida por essas mulheres, deu lugar a outros tipos de tirania. 

Esses novos tiranos não violentam explicitamente. Apenas vendem uma idéia, uma imagem, um valor. O valor do “belo”.

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