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Assédio e TV: tudo a ver

Publicado em 18 de abril de 2017

[Por João Paulo Cunha – Brasil de Fato MG – 13.04.2017] Em poucos dias, quatro personagens que gozam dessa geleia indistinta chamada ‘celebridade’ mostraram o que têm de pior. José Mayer foi autor de agressão sexual contra uma funcionária da emissora em que trabalha, a Rede Globo. Sílvio Santos cometeu assédio moral ao vivo e em cores contra uma jornalista do SBT, onde é o “patrão”. O cantor Victor, que apresentava um concurso de calouros para crianças, passou a ser réu no processo por violência física à mulher, grávida de seu filho. Inquérito por agressão à namorada tirou o médico Marcos Harter do BBB 17.

À primeira vista, a dimensão tomada pelos casos mostrou que houve uma reação social forte, principalmente das mulheres, que se uniram para denunciar e cobrar responsabilidades contra a violência, os assédios e a agressão. Além disso, a postura das emissoras, com maior ou menor grau de reconhecimento da gravidade em cada um dos casos, parecia emitir um sinal de autocrítica. No entanto, o constrangimento, cabotinamente anunciado até no Jornal Nacional, levou a punições brandas, como afastamento provisório dos envolvidos de suas atividades ou expulsão do participante do reality show, o que não foi mais que a aplicação da regra do jogo. | Leia o artigo completo.

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Um partido chamado imprensa

Publicado em 13 de abril de 2017

Um partido chamado imprensa Por PEDRO VERÍSSIMO FERNANDES  –  Mestre em Comunicação e Semiótica – PUC-SP RESUMO O presente texto tem a pretensão de entender, sob uma perspectiva histórica, a relação da grande mídia brasileira com governos populares desenvolvimentistas. A partir de edição 2397 de Veja: “Eles sabiam de tudo” e do pedido de impedimento de Dilma Rousseff nos estúdios da mesma revista poucos minutos após a confirmação da reeleição, são discutidos três conceitos fundamentais à análise: a resistência sociopática a mudança, de Florestam Fernandes, que busca desqualificar qualquer tentativa de democratização do Estado; o paralelismo político, a partir de Hallin e Mancini, que ao longo de nossa história mostrou que a grande imprensa sempre esteve ao lado das classes privilegiadas; e nosso verdadeiro dilema político, social e econômico brasileiro: a formação de um Estado inclusivo ou a manutenção...

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O escárnio de Temer com as concessões de rádio e TV

Publicado em 10 de abril de 2017

[Por Bia Barbosa – Carta Capital/Intervozes – 29.03.2017] A imprensa toda noticiou e o empresariado de radiodifusão comemorou as mudanças no marco regulatório do setor, publicadas na quarta-feira, 29.03, no Diário Oficial da União. Para a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert), foi “a maior vitória dos últimos 50 anos”.

Quem quiser entender de fato o que mudou nas normas que as concessionárias devem respeitar – as poucas em vigor no país – não vai achar muita explicação nas matérias e reportagens. O discurso que prevaleceu foi o da “desburocratização para apoiar as empresas”.

O ministro Gilberto Kassab falou em “liberdade para os empreendimentos”. E Michel Temer, na cerimônia de sanção da lei no Palácio do Planalto, chegou a afirmar que as novas regras são uma “contribuição à imprensa livre”. Com o perdão do trocadilho infame, só se for “livre de obrigações”.

Uma simples leitura do texto da Medida Provisória sancionada – que agora já é lei – revela o tamanho do escárnio com que este governo passa a tratar o serviço de radiodifusão. Entre o envio para o Congresso Nacional no final de 2016 e a sanção nesta terça-feira, a MP 747 ganhou requintes de crueldade para qualquer um que acredita que o interesse público deveria ser o condutor dos processos de licenciamento das outorgas de rádio e TV no Brasil.

Por incrível que pareça, num país em que as concessões sempre foram usadas como moeda de troca política, foi possível piorar o procedimento das licenças. E agora não é nenhum exagero afirmar que o empresariado da radiodifusão pode fazer o que bem entender com este bem que, vale lembrar, é público. | Leia o artigo completo.

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A informação como fonte de poder político  

Publicado em 29 de março de 2017

[Por Laurindo Lalo Leal Filho – Revista do Brasil – Março/2017] Faz pouco mais de cem anos. Em 1910, o sociólogo alemão Max Weber propôs ao 1º Congresso da Associação Alemã de Sociologia uma nova pesquisa. Ele queria saber se “o crescente capital fixo da imprensa significaria também um aumento do poder que permite moldar a opinião pública arbitrariamente”.

No início do século 20, nos primórdios do cinema, antes do rádio e da TV e muito distante da internet, apenas os jornais serviam como meio de comunicação de amplo espectro. Ainda assim já eram percebidos por Weber como fortes instrumentos de poder, na medida em que acumulavam capital e dominavam áreas maiores do mercado.

No entanto, na mesma época e pelas décadas seguintes esse poder seguiu camuflado pela ideia de que a imprensa seria um quarto poder, capaz de acompanhar criticamente as ações dos poderes institucionais. Até que, em alguns momentos, ela exerceu esse papel . Mas, a medida em que as empresas de comunicação cresciam, incorporavam novas tecnologias, agregavam sob uma mesma direção novos veículos, o rumo editorial mudava gradualmente de direção. | Leia o artigo completo.

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Reforma Trabalhista: Fim da CLT ameaça trabalhadores desde a década de 1990

Publicado em 28 de março de 2017

No final de 2016, entrou em pauta no Congresso Nacional uma proposta de reforma trabalhista que representa uma ameaça aos direitos dos trabalhadores. Se aprovada, essa reforma irá praticamente decretar o fim da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), passo que já começou a ser dado com a recente aprovação do PL da Terceirização (PL 4.302/1998), quase nove anos depois de ter sido proposto.     [Por Luisa Santiago – NPC – 28.03.2017] A CLT foi estabelecida através do Decreto-Lei nº 5.452 de 1º de maio de 1943, sancionado pelo então presidente Getúlio Vargas, com o objetivo de regular a relação capital e trabalho. O documento, ainda que elaborado há muitos anos e num contexto político diferente, é até hoje considerado um dos mais avançados mundialmente no que diz respeito à legislação trabalhista. Foi com ele que os trabalhadores passaram...

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Falta de comunicação ou falta de política?  

Publicado em 16 de março de 2017

[Por Reginaldo Moraes-NPC] Quando é escassa, a informação, em sentido amplo, dá autoridade a quem a tem. Concentrada pela escassez. Assim, em certas sociedades, domínio de certos códigos e interpretações dos fenômenos dava aos feiticeiros o governo das almas inocentes. Bem, há feiticeiros e almas inocentes em todas as sociedades. Só mudam de cara.

Quando os meios de difusão se multiplicam e “vulgarizam”, a autoridade da “fonte” diminui, dessacraliza-se. Primeiro, a fonte tradicional da informação é contestada. Depois, toda a informação, de toda e qualquer fonte, começa a ter o mesmo valor ou quase o mesmo valor – e quando é assim, toda verdade tende ao valor zero, isto é, tende a ser contestada e contestável.

Contudo, no limite, isso levaria à proliferação de guetos de verdades, articulados em torno das diversas fontes. Uma torre de babel.

A “explosão” da comunicação via tecnologias telemática é um fenômeno de poucas décadas. Ainda assim, a cada ano, ela duplica a informação disponível. Já havia e-mail e aplicações comerciais nos anos 1980. Os franceses tinham compra por Minitel. Mas os servidores de web surgiram em 1990. Os blogs são do final dessa década, quando também se generaliza a troca de música pelos MP3. Facebook é coisa de 2004. Mas isso mudou bastante a compreensão das coisas, o modo de falar e de produzir fatos.

Essa explosão e geração de múltiplas fontes e suas respectivas verdades contribui para diminuir a autoridade, mas também para aumentar a incerteza. | Continue lendo.

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