Autor: Luisa Vieira

A mídia que abraçou a ditadura não faz mea culpa, faz peça publicitária – Entrevista com Beatriz Kushnir

Não é novidade que a imprensa brasileira teve participação efetiva na articulação civil-militar que derrubou o presidente João Goulart. Com a exceção de alguns poucos veículos de comunicação, como o jornal carioca Última Hora e a TV Excelsior, que se colocaram em defesa da ordem democrática e foram posteriormente perseguidos pelo regime militar, todos os principais grupos de mídia deram apoio explícito à intervenção militar. Passados cinquenta anos do episódio histórico que deu início a uma ditadura que durou mais de 21 anos, os veículos de mídia que apoiaram o golpe têm se visto na obrigação de dar explicações que relativizem sua participação no evento. Valendo-se de desavergonhado contorcionismo retórico, os editoriais dos jornalões têm, em linhas gerais, justificado a opção pelo golpismo como fruto de um período conturbado em que extremismos de todos os lados não teriam permitido um posicionamento moderado. Em entrevista à Carta Maior, Beatriz Kushnir desconstrói o mito de que houve oposição ferrenha entre a censura do regime militar e os grandes grupos de comunicação.| Por Caio Hornstein, na Carta Maior | Leia a entrevista completa.

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Por Beatriz Kushnir, autora do livro Cães de Guarda, em entrevista a Caio Hornstein, na Agência Carta Maior em 01.04.2014

“A autocensura não foi inventada naquele momento (regime militar). A autocensura é uma prática constante em qualquer empresa de comunicação. Todo jornalista sabe disto. O jornal, a rádio, a TV são exemplos de empresas, negócios, lucros. Vende-se um serviço de utilidade pública: a notícia. Os governos, quando querem calar as vozes de oposição nos meios de comunicação, soltam verbas publicitárias. Como toda empresa tem um dono, nos meios de comunicação só é publicado o que o patrão acha conveniente”.

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Por moradora da favela da Maré em 01.04.2014

“Senti uma respiração forte e ofegante com um hálito quente em meu rosto. Meio sonolenta, abro os olhos e me deparo com um cão e homens de preto a minha volta. Susto, medo e revolta. Meu quarto tomado por desconhecidos da lei e perguntas que não sei responder. Todos os dias eles vem na minha casa. Já não durmo de camisola, porque essa visita pela manhã virou rotina e tenho que estar preparada para recebê-los. Hoje já entraram duas vezes. Minha casa virou o Batalhão da Polícia Militar”.

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Documentário sobre invasão do sindicato dos lavradores de Governador Valadares é lançado em Minas Gerais

A TV Assembleia, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, lançou no dia 1º de abril um interessante documentário que narra episódio pouco conhecido da história recente do Brasil, relacionado ao golpe de 1964. Pouco conhecido, mas, nem por isso, menos importante. Trata-se da invasão, por milícias armadas dos latifundiários, do Sindicato dos Lavradores de Governador Valadares (Vale do Rio Doce) e do empastelamento do jornal “O Combate”, que apoiava os trabalhadores rurais. O vídeo é bem interessante. Confira a cobertura do evento feita por Lígia Coelho. Lá é possível também acessar o vídeo, que tem duração de 40 minutos.

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A noite que durou 21 anos

O Golpe se torna vitorioso no País. Não houve quase greve nenhuma e nenhum tiro foi dado, mas a repressão, só no Rio, no dia 1º de Abril, prendeu 100 mil pessoas. Os presos foram amontoados nas delegacias e quarteis da região e muitos foram trancafiados no Estádio Mestre Ziza, no Complexo Poliesportivo Caio Martins, em Niterói. Ainda sobrou gente para encher os porões de três navios ancorados na Baía de Guanabara. Durante 21 anos, militantes de esquerda e opositores do regime serão perseguidos, presos, exilados ou assassinados pela Ditadura.

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