Autor: Luisa Vieira

O Globo julga e condena

O Globo, em sua manchete de capa de hoje, assume ares de tribunal de exceção. Sem que haja qualquer indício ou prova, sem que tenha havido nenhum julgamento (com direito à defesa e a contraditório), o jornal taxa como vândalos os 70 manifestantes detidos nas escadarias da Câmara de Vereadores na noite da última segunda-feira. Vários relatos indicam que a polícia prendeu indiscriminadamente pessoas que estavam sentadas na escadaria, sem que houvesse nenhum flagrante de delito ou ordem judicial para tanto. Estão presas e responderão absurdamente pelo crime de formação de quadrilha, entre outros. Isso é gravíssimo em uma democracia. Mas O Globo não se preocupa com isso. Em exercício de péssimo jornalismo e editorialização moralista e sensacionalista da notícia, decreta que eram todos vândalos. Como decretou em seu editorial de 2 de abril de 1964 que o golpe militar da véspera viera para salvar a democracia. Esta capa de hoje entra para a história do jornalismo pela porta dos fundos. Vira exemplo negativo dos abusos da grande imprensa, como o já clássico caso da Escola Base em São Paulo, na década de 90 (quem não conhece ou não se lembra do caso, é só jogar no Google). | Por Diogo Coelho.

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O que é Libra?

Se uma pesquisa de opinião fosse feita, a nível nacional, com uma única pergunta: “O que o senhor (ou senhora) acha do leilão de Libra que ocorrerá no dia 21 de outubro?”, certamente, uns 95% dos pesquisados responderiam: “O que é Libra?” (…) Libra é um campo de petróleo com cerca de dez bilhões de barris. Pode chegar a 15 bilhões. Fica em alto mar, a cerca de 180 km da costa, na chamada bacia de Santos. (…) Este tesouro vai a leilão no próximo dia 21. A Petrobrás fica com uma parcela obrigatória de 30%. As petrolíferas estrangeiras ficam com a maior parte./ Paulo Metri – Conselheiro da Petrobrás.

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Família Marinho tem participação em 12 emissoras de TV, além da Globo

O Decreto-Lei 236, de 1967, em seu artigo 12, define que “cada entidade” só poderá ter, no máximo, 5 concessões de geradoras de radiodifusão de sons e imagens (TV aberta) em VHF (canais 2 a 13). A empresa Globo Comunicação e Participações S.A., de propriedade dos três filhos de Roberto Marinho, possui suas cinco concessões no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Recife. Mas vários netos de Roberto Marinho também são acionistas de outras geradoras, todas afiliadas à Globo. | Continue lendo | Por Gustavo Gindre, no Blog do Gindre.

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O Rio sob Estado de sítio?

Está na hora das universidades se posicionarem contra a criminalização de movimentos sociais e de manifestantes. A questão não é apoiar ou não black blocs ou outros movimentos. A questão é se posicionar diante dos ataques à constituição e das suspensões de direitos que essas prisões em massa representam. Semana que vem a cidade estará sitiada por causa do leilão de Libra. Ano que vem a Copa pode ser mais uma desculpa para vivermos um estado de sítio. Até que estejamos todos sitiados e cerceados em nossas liberdades básicas. Ou nos posicionamos agora contra isso ou ficará cada vez mais difícil reagirmos. Por Adriana Facina (professora do Museu Nacional)

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Todo mundo falando do pesquisador da Fiocruz, do professor, do jornalista preso…. Quero falar desse menino aí, da foto.

Até o acampamento que a rede municipal fez na calçada da câmara, eu nunca tinha visto seu rosto. Nunca o vi nas reuniões do meu partido, do meu sindicato, nada. Mas ele apareceu lá no acampamento, ofereceu ajuda, convidou para participar do debate que iria ocorrer no acampamento “vizinho”. Chegou a oferecer a sua barraca para os professores que não estavam preparados para passar aquela madrugada fria lá na Cinelândia.

Dias depois eu o reencontrei na Alerj. Foi lá prestar solidariedade aos profissionais da educação da rede estadual. Se apresentou como Bruno e cantou um funk onde criticava o governo estadual.

Seu corpo franzino e a pele negra me faziam lembrar os capitães de areia. Taí, ele poderia ser o Pedro Bala. Ou o Dom Quixote do centro do RJ. A partir daí passei a reconhecê-lo, lado a lado, nas ruas. Bruno poderia ser meu aluno, ou meu parente. E agora eu, a caminho, do trabalho, não consigo parar de pensar nesse companheiro, que está preso, porque ousou estar nas ruas lutando também para me defender. Bruno não me conhece. E por isso talvez não saiba a lição que está me dando. – Lidiane Lobo (professora)

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