Categoria: De Olho Na Vida

Padre Josimo: 40 anos depois segue sendo assassinado todo dia. E segue ressuscitando

[Por Marcos Antonio Corbari / Instituto Cultural Padre Josimo e Movimento dos Pequenos Agricultores] Completados quarenta anos da execução de Josimo Morais Tavares, o padre negro das sandálias surradas. A mão do pistoleiro, armada pelo capital, segue apertando o gatilho todos os dias, alvejando pelas costas, e o sangue de Josimo continua escorrendo pelos caminhos da terra brasileira. Foi assassinado em 10 de maio de 1986, no corredor da Mitra Diocesana de Imperatriz, no Maranhão. Tombou porque ousou dizer aos pobres que eles tinham direito à terra, à dignidade e à vida. Tombou porque enfrentou a aliança histórica entre latifúndio, pistolagem, dinheiro e poder político. Tombou porque acreditava que o Evangelho não podia permanecer neutro diante da violência. | Continue lendo. 

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Pesquisador conclui que vida de entregador “É terra de ninguém, risco de vida o tempo todo”

[Por Rute Pina/ BBC News] A notificação do celular anuncia mais uma corrida. Na tela, o mapa mostra a distância a ser percorrida em 12 minutos para que Douglas Alexandre Santos pedale até um McDonald’s na cidade de São Paulo. Para fugir do trânsito, ele decide subir na calçada com a bicicleta alugada. A corrente estoura, e ele quase sofre uma queda. Mas, enquanto tenta solucionar o problema, ele perde a entrega. O pedido é repassado a outro entregador. Santos, na verdade, é um sociólogo que trabalhou como cicloentregador no iFood por seis meses entre 2023 e 2024, como parte da sua pesquisa de mestrado na Universidade de São Paulo (USP). O trabalho foi premiado como melhor dissertação de 2025 do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da instituição. A experiência etnográfica revelou, segundo o pesquisador, um sistema de trabalho em que o algoritmo não perdoa a prudência. Pelo contrário, ele diz que os prazos curtos do aplicativo forçam os entregadores a cometerem infrações e arriscarem a própria vida no trânsito, se quiserem garantir a entrega.

“É um trabalho muito perigoso. E as plataformas não têm nenhum tipo de concernimento sobre a segurança do trabalho, sobre a integridade das pessoas e dos jovens negros que exercem essas ocupações”, afirma. | Continue lendo. 

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Governo do Brasil regulamenta o ECA Digital: novo marco na proteção de crianças e adolescentes na internet

O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei nº 15.211/25), conhecido como ECA Digital, passou a valer a partir do dia 17 de março. O objetivo da lei é atualizar a proteção de crianças e adolescentes frente aos novos desafios impostos pelo avanço das tecnologias e o ambiente digital. A nova legislação foca na responsabilidade compartilhada entre atores. Isso significa que a proteção da criança no ambiente digital é um dever dividido entre família, sociedade, Estado e plataformas, reforçando o princípio do melhor interesse da criança e do adolescente no ambiente on-line. As principais medidas previstas são: mais rigor na aferição da idade; segurança por padrão; ferramentas de supervisão dos responsáveis; proteção contra a publicidade direcionada; e moderação de conteúdo. | Saiba mais como funciona cada um desses itens.

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Pesquisador sobre ‘agricultura familiar’ é assassinado em Manaus (AM)

[Por Frei Gilvander Moreira] O professor da Universidade Federal do Amazonas, Davi Said Aidar, de 62 anos, foi executado a tiros por dois homens encapuzados na Rodovia AM-010, zona rural de Manaus. Referência internacional em pesquisas sobre “agricultura familiar” e apicultura, o professor foi alvo de disparos que descartam a hipótese de latrocínio, uma vez que os assassinos fugiram sem levar nada. A região onde ocorreu o crime é um “tradicional palco de conflitos agrários”, marcado por casos de tomadas de terras, grilagem e pistolagem.

Pesquisadores e populares levantam a hipótese de que a execução esteja ligada ao avanço do latifúndio agroexportador, que atua como uma “bomba atômica” contra pequenos produtores. O estado do Amazonas segue o caminho de violência de Rondônia e Pará, onde o aparato repressivo do velho Estado assiste ao crescimento das agressões contra camponeses pobres, indígenas e quilombolas. O crime ocorre em uma área permeada por violentas reintegrações de posse e pela ação de bandos armados a serviço das classes dominantes. | Leia o texto completo.

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“De perto ninguém é normal”

Artigo do psiquiatra e pesquisador do CEE-Fiocruz Paulo Amarante recupera memórias, ideias e experiências centrais da luta antimanicomial. Amarante parte da conhecida frase “De perto ninguém é normal” e revisita a trajetória de Franco Basaglia e da experiência italiana que inspirou a Reforma Psiquiátrica brasileira. O texto conecta esse legado aos desafios contemporâneos da saúde mental no Brasil e reafirma a centralidade dos direitos humanos, da atenção psicossocial e da defesa do SUS. | Leia o artigo completo.

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Complexo portuário-industrial idealizado por Eike Batista abriu 500 processos por desapropriações

[Clívia Mesquita – Brasil de Fato/RJ] Como muitos brasileiros, Noêmia Magalhães e o marido Valmir Batista, o Birica, guardaram o dinheiro de uma vida inteira de trabalho para desfrutar na terceira idade. Encontraram o refúgio ideal em São João da Barra, no norte fluminense, onde passaram a cultivar alimentos orgânicos, plantar árvores e fazer caminhadas. Assim viveu o casal por anos até a chegada do Porto do Açu, maior empreendimento portuário da América Latina, interromper o modo de vida de toda a comunidade formada por pequenas propriedades de terra.

Mais de dez anos depois, o Sítio do Birica resiste praticamente ilhado em meio a um deserto de terrenos vazios cercados com arame farpado. Um oásis verde que segue produtivo, carregado de árvores frutíferas, símbolo da persistência do casal. Aos 78 anos, dona Noêmia é uma liderança respeitada, mas sabe que a luta contra as desapropriações incomoda. Ao Brasil de Fato, a agricultora defende que “houve grilagem de terras no local”. Continue lendo.

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Fórum Grita Baixada pergunta: “A Baixada resiste…mas até quando?”

“Dois homens morreram baleados após criminosos passarem de carro, atirando em direção a um bar no bairro Miguel Couto, em Nova Iguaçu, na noite de domingo, 18 de maio”. A informação é do Fórum Grita Baixada. Levantamento feito pela organização com base em números produzidos pelo Instituto Fogo Cruzado aponta que a ausência de investimentos públicos, oportunidades econômicas e disputas entre traficantes e milicianos contribui para a frequência dos tiroteios. Só no ano de 2021 foram em média três tiroteios diários e duas chacinas por mês. Belford Roxo (183), Duque de Caxias (167) e São João de Meriti (79). Total: 630 tiroteios.

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Trabalhador senegalês é morto pela PM de São Paulo

O trabalhador ambulante senegalês Ngange Mbaye foi morto com um tiro no peito disparado pela polícia militar de São Paulo na sexta-feira, dia 11 de abril, enquanto tentava impedir que sua mercadoria fosse apreendida pelos agentes. No sábado, dia 12, centenas de imigrantes senegaleses saíram às ruas na região do Brás para protestar contra a morte. Familiares e amigos de Mbaye estavam visivelmente emocionados e outros trabalhadores senegaleses exibiam cartazes com pedidos de justiça. [Foto: Pedro Stropasolas/Brasil de Fato]

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Documentário retrata Chacina do Pau D’Arco

Em 24 de maio de 2017, policiais executaram brutalmente dez trabalhadores sem-terra que ocupavam a fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco, no sul do Pará. Durante sete anos, a diretora Ana Aranha acompanhou de perto a vida de Fernando, principal testemunha da Chacina de Pau d’Arco, e do advogado do grupo, José Vargas Jr. O resultado é o documentário “Pau d’Arco”, que estreou neste sábado, 5/4, no Festival É tudo verdade!. “Pau d’Arco” é o primeiro longa-metragem de Ana Aranha, que antes dirigiu o curta “Relatos de um Correspondente da Guerra na Amazônia”, sobre o assassinato do jornalista Dom Phillips. O filme ganhou o 40º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo, em 2023.

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Cesta Camponesa do MPA oferece alimentos agroecológicos no Rio de Janeiro

[Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) | 2024] Quem mora na cidade do Rio de Janeiro ou em Niterói pode ter acesso a produtos frescos e agroecológicos da Cesta Camponesa do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). A iniciativa é uma espécie de feira online de alimentos orgânicos e agroecológicos produzidos por famílias camponesas, livres de agrotóxicos e cultivados com respeito ao meio ambiente. O movimento realiza entregas duas vezes por semana, nas quartas e aos sábados. A produção é de responsabilidade de famílias agricultoras localizadas em municípios do estado do Rio de Janeiro, além de cooperativas de outros estados que integram a rede de produção e abastecimento popular do MPA. Os produtos podem ser adquiridos pelo site, de forma direta pelos consumidores, sem atravessadores.  | Saiba como fazer seu pedido!

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